Marcha dos Manguezais em Belém defende peixe de reservas extrativistas na merenda escolar

Objetivos da Marcha dos Manguezais

A 3ª Marcha dos Manguezais Amazônicos, realizada em Belém, buscou expressar a criação de políticas públicas que promovam a conservação e a valorização da pesca artesanal na Amazônia. A ação destacou a importância do pescado local na alimentação escolar, defendendo que a merenda nas escolas públicas deve incluir produtos frescos das comunidades pesqueiras. Isso reflete um movimento que une a preservação ambiental à melhoria da alimentação infantil, promovendo tanto a saúde das crianças quanto a sustentabilidade dos ecossistemas locais.

A Importância do Pescado na Merenda

Um dos principais pontos levantados durante a marcha foi a necessidade de incluir pescado originário das Reservas Extrativistas (Resex) na alimentação escolar. A presidente da Associação de Usuários da Resex Marinha Mocapajuba, Renilde Piedade da Silva, enfatizou que “não queremos mortadela nem alimentos industrializados nas escolas. Nossos filhos precisam comer o nosso pescado”. Esta frase sintetiza a luta por merenda escolar que não apenas alimente, mas que também valorize a produção local e tradições pesqueiras, contribuindo para a saúde e a identidade cultural das comunidades.

Comida Local vs. Alimentos Ultraprocessados

Comparando o pescado fresco ao alimento industrializado, a marcha defende uma mudança radical nas práticas alimentares nas escolas. A transição de alimentos ultraprocessados para opções frescas não é apenas benéfica para a saúde das crianças, mas também oferece uma nova perspectiva de valorização das matérias-primas locais, ajudando a fortalecer a economia da região. Renilde complementou, “queremos que o peixe produzido pelos nossos pescadores chegue às escolas para que nossas crianças possam saber de onde vem o que comem”.

Marcha dos Manguezais

O Papel das Comunidades Tradicionais

As comunidades tradicionais desempenham um papel essencial na preservação das práticas de pesca artesanal e no manejo sustentável dos manguezais. Durante a marcha, diversas associações apresentaram suas ações que vão além da pesca, incluindo atividades voltadas à educação ambiental e à geração de renda. Isso demonstra que as comunidades não apenas dependem do ecossistema, mas também o preservam ativamente, reconhecendo sua relevância para o equilíbrio ambiental e a saúde social.



Protagonismo Feminino na Pesca

Nos debates, a valorização e o protagonismo das mulheres no contexto das Reservas Extrativistas foram pontos altos. Mulher que historicamente esteve à margem das decisões, hoje elas ocupam posições de liderança em diversas associações, como a Rede Mães do Mangue e clubes de poupança comunitários. Renilde destacou que estas iniciativas ajudam a alinhar as vozes femininas às decisões que impactam diretamente suas comunidades, promovendo uma maior equidade nas discussões de políticas públicas.

Programas de Aquisição de Alimentos

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) foi mencionado como um passo positivo, permitindo que o governo compre diretamente do pescador local. A implementação desse programa é um incentivo à compra de alimentos sustentáveis e saudáveis, porém as lideranças destacam que é necessário assegurar a continuidade desses abastecimentos nas escolas, permitindo uma transformação efetiva na forma como as crianças se alimentam.

Desafios das Associações Comunitárias

Ainda que a marcha tenha sido um momento de celebração e luta, refletiu também os desafios enfrentados pelas associações comunitárias, que lidam frequentemente com a falta de recursos e suporte técnico. A união entre a comunidade e as parcerias institucionais é vista como fundamental para resistir e prosperar. Renilde afirmou a importância da continuidade do trabalho coletivo, pois “preservar os manguezais é cuidar do nosso sustento e do equilíbrio ambiental do planeta”.

Resiliência da Pesca Artesanal

Durante o evento, a resiliência da pesca artesanal foi um tópico recorrente. Os pescadores e a comunidade local têm se adaptado a mudanças climáticas e regulamentações, buscando maneiras eficazes de se manterem em prol da preservação ambiental e da produção de alimentos de qualidade. A capacidade de adaptação e o conhecimento tradicional acumulado são essenciais para que a pesca artesanal não apenas sobreviva, mas também se fortaleça.

A Educação Alimentar nas Escolas

A inserção do pescado local na merenda escolar está vinculada também a um esforço mais amplo de educação alimentar. É fundamental que as crianças compreendam a origem dos alimentos que consomem e a importância de preservar o meio ambiente. Essa conscientização pode fomentar hábitos saudáveis e um maior respeito à biodiversidade.

Preservação dos Manguezais e Desenvolvimento Sustentável

A conservação dos manguezais é imprescindível para a saúde dos ecossistemas marinhos e para a luta das comunidades. Os manguezais atuam como um protetor natural contra a erosão e são fontes de vida para diversas espécies. Preservar essas áreas significa garantir não só a pesca sustentável, mas também a proteção das comunidades que dependem delas para viver. O fortalecimento das políticas públicas em relação ao manejo dos recursos hídricos e à preservação dos manguezais é um passo vital para assegurar um futuro sustentável para a Amazônia e suas comunidades.



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