A COP 30 e suas Implicações
A Conferência do Clima (COP 30) foi realizada em Belém do Pará, entre os dias 10 e 22 de novembro, atraindo a atenção mundial para a emergência climática. Contudo, ao final do evento, muitos participantes, incluindo ambientalistas e cientistas, deixaram a conferência desapontados, uma vez que não foram apresentadas soluções concretas para enfrentar as questões relacionadas à degradação ambiental.
Os “Mapas do Caminho”, iniciativas do Governo Lula que abordam o desmatamento e o uso de combustíveis fósseis, nem sequer foram mencionados nas conclusões finais do encontro. Outro aspecto crucial discutido era o aumento do financiamento direcionado a auxiliar países em desenvolvimento na adaptação aos efeitos das alterações climáticas. Embora o investimento tivesse como prazo inicial o ano de 2030, ele foi estendido para 2035, sem que se definissem parâmetros claros.
Dessa forma, a COP 30 evidenciou a incapacidade dos líderes globais em apresentar soluções viáveis para os problemas ambientais e climáticos que enfrentamos atualmente. No contexto do capitalismo, onde o lucro é priorizado, as necessidades da população costumam ser esquecidas, deixando-a vulnerável a um crescimento econômico desenfreado promovido por grandes corporações.

Vozes Indígenas em Destaque
No primeiro dia da COP 30, a líder indígena Auricelia Arapiun protestou contra o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que estava formalizando um contrato entre o governo estadual e a Hydro, uma mineradora que já havia sido implicada em problemas de contaminação ambiental e saúde em Barcarena, PA. Com firmeza, Auricelia declarou: “Mais um projeto que compromete as terras indígenas no Estado do Pará! O Helder Barbalho é uma farsa!”.
Os povos indígenas, em um ato de resistência, ocuparam pela primeira vez a Zona Azul, espaço reservado a empresário e autoridades, para reivindicar que suas pautas fossem ouvidas e enfatizar que não existem soluções para a crise climática sem a inclusão das vozes populares. Em 14 de novembro, os indígenas do povo Munduruku fecharam o acesso à Zona Azul da conferência, exigindo diálogo com o Presidente Lula e reivindicando sua participação nas decisões da COP 30.
Alessandra Munduruku, uma das líderes do povo Munduruku, expressou em entrevista ao jornal **_A Verdade_** sua indignação: “O próprio presidente Lula tem violado nossos direitos ao negociar sem nos consultar. Nos últimos anos, os acordos e tratativas sobre nossas terras têm acontecido sem consultas prévias e informadas.”.
A Cúpula dos Povos: Mobilização Popular
No mesmo período da COP 30, ocorreu a Cúpula dos Povos, um evento popular que reuniu mais de 70 mil pessoas na capital paraense. O objetivo da Cúpula era apresentar uma alternativa à COP 30, que operava em espaços de deliberação fechados. Esse evento incluiu diversas oficinas, debates, seminários, aulas públicas e palestras, onde foram debatidas soluções para as crises socioeconômicas e climáticas.
Um dos momentos mais marcantes foi a Marcha Global dos Povos pelo Clima, realizada no dia 15 de novembro, que contou com a presença de mais de 50 mil pessoas nas ruas de Belém, clamando por justiça climática. A declaração final da Cúpula afirmou que “o modo de produção capitalista é a principal causa da crise climática” e denunciou que a transição energética está sendo realizada sob uma lógica capitalista, transformando-se em um novo espaço de acumulação de riqueza.
Os Desafios da Emergência Climática
A COP 30 e a Cúpula dos Povos ilustraram a urgência de solucionar a crise climática, mas as reações a este chamado à ação foram mistas. Mesmo com a demarcação de duas terras indígenas pelo Governo Federal, os líderes indígenas expressaram uma série de exigências em resposta a suas reivindicações históricas. Preocupações como a revogação do Decreto nº 12.600/2025, que estabelece o Plano Nacional de Hidrovias, foram levantadas, pois este plano ameaça a integridade de ecossistemas aquáticos e a vida dos povos indígenas.
A carta do Movimento Munduruku Ipereg Ayu, apresentada durante a conferência, indicou que o decreto possibilita novas dragagens e a degradação acelerada de ambientes naturais. “Esse decreto perpetua a destruição do nosso modo de vida, ao transformar os rios em rotas de transporte de commodities como a soja.”


