A Reabertura do Museu das Amazônias
No dia 4 de novembro, o Museu das Amazônias (MAZ), localizado na região portuária de Belém (PA), reabre suas portas com a exposição “Amazônias no Plural”. A mostra é resultado de uma curadoria colaborativa que inclui a pesquisadora Joice Ferreira da Embrapa Amazônia Oriental, que enfatiza a necessidade de vivenciar a Amazônia de forma imersiva e transformadora. O objetivo é inspirar o público a se comprometer com a conservação deste ecossistema essencial.
A Interação entre Arte e Ciência
A junção de arte e ciência é fundamental para tornar os ensinamentos sobre a Amazônia mais acessíveis e emocionantes. Joice Ferreira destaca que a arte serve como um elo para despertar a conexão emocional com a biodiversidade da região, proporcionando uma experiência de aprendizado que vai além dos números e estatísticas. Dessa forma, a exibição não é apenas uma representação visual, mas uma forma de enriquecer a compreensão do público sobre as complexidades da Amazônia.
Saberes Ancestrais e Biodiversidade
A exposição também se propõe a retratar a Amazônia como um mosaico de culturas e conhecimentos. As curadoras, incluindo Helena Lima e Francy Baniwa, trabalham para mostrar que a diversidade da floresta é íntima e indissociável dos saberes de suas populações tradicionais. Ao integrar diferentes visões, a mostra ilustra como os seus modos de vida e costumes dialogam com os sistemas ecológicos locais.

O Papel da Curadoria na Exposição
A curadoria da exposição é o resultado de mais de dois anos de trabalho intenso de seleção e conceptualização dos conteúdos. Cada ambiente da exposição foi projetado para oferecer uma jornada que abrange diversas épocas geológicas, as quais foram moldando a flora e fauna da Amazônia nos últimos 60 milhões de anos. Isso envolve a intersecção entre história natural e cultural, criando um espaço onde o conhecimento é compartilhado e modificado pela interação com o visitante.
Como a Exposição Explora a Diversidade
Com um layout que se assemelha ao corpo de uma serpente, a disposição da mostra oferece uma experiência interativa, levando os visitantes a um mergulho na biodiversidade amazônica. De acordo com Joice Ferreira, a exposição abrange aspectos biológicos e culturais, pois a biodiversidade é o resultado de um sistema interconectado onde os seres humanos desempenham um papel crucial. Assim, a narrativa constrói pontes entre o natural e o humano.
A Importância dos Conhecimentos Locais
Um dos principais focos da exposição é destacar a relevância dos saberes locais. Como explicado pela curadora Helena Lima, a abordagem envolveu a colaboração com comunidades tradicionais, trazendo à luz os conhecimentos ancestrais que têm sido transmitidos ao longo de gerações. Isso não só valoriza sua cultura, mas também ressitencia a importância de manter práticas sustentáveis no uso e conservação dos recursos naturais.
A Experiência Sensorial da Exposição
A mostra “Amazônias no Plural” é uma manifestação sensorial onde os visitantes são convidados a interagir com os ambientes apresentados. O uso de variados elementos visuais e auditivos faz parte da proposta de criar uma experiência que vai além da observação, incluindo aromas e texturas que evocam a essência da floresta. Joice Ferreira afirma que essa abordagem rica em detalhes pode modificar a percepção do público sobre a Amazônia.
Desafios na Comunicação Científica
A comunicação dos resultados científicos com a sociedade é um desafio constante. A perspectiva da exposição é tornar a ciência acessível ao público urbano, criando um diálogo que simbolicamente faz com que compreendam a importância da preservação da Amazônia. Joice enfatiza que apresentar a ciência de maneira envolvente ajuda a desmistificar dados e complexidades que normalmente são percebidos como distantes.
O Compromisso com a Proteção da Amazônia
Por meio da integração de arte e ciência, a exposição busca instigar um compromisso genuíno das pessoas em relação à proteção da Amazônia. Ao enfatizar a relação direta entre a biodiversidade e as comunidades que nela habitam, “Amazônias no Plural” fortalece a ideia de que o futuro da floresta está atrelado ao futuro das pessoas que dependem de seus recursos.
Eventos Paralelos e Atividades
Além da exposição permanente, o MAZ também abre espaço para uma exposição temporária denominada “Água, Pantanal, Fogo”, que reúne fotografias impactantes que abordam a crise climática. Os visitantes são convidados a refletir sobre a relação entre esses territórios e a Amazônia, mostrando que a compreensão da Amazônia deve ser feita através de múltiplas lentes e experiências. Camila Costa, gerente técnica do MAZ, finaliza ressaltando que essas iniciativas oferecem caminhos diferentes para a apreciação e compreensão da cultura e biodiversidade.



