Impactos Ambientais de Data Centers
A instalação do primeiro data center para Inteligência Artificial na Amazônia, conhecido como BEL1, em Belém, trouxe à tona diversas discussões sobre os possíveis impactos ambientais que um empreendimento dessa magnitude pode acarretar. Já se sabe que a construção e operação de data centers são associadas a um aumento significativo no consumo de energia, e isso pode provocar uma série de consequências indesejadas para a região, famosa por sua biodiversidade e clima equilibrado.
O Estudo da Universidade de Cambridge
Pesquisadores da Universidade de Cambridge realizaram um estudo que aponta que data centers ao redor do mundo têm contribuído de maneira preocupante para o aumento das temperaturas ambientais. Segundo as conclusões da pesquisa, a presença de data centers pode elevar a temperatura média da superfície terrestre em até 2°C, e em situações extremas, essa elevação pode chegar a 9,1°C. O estudo utilizou dados de satélite da NASA, monitorando as temperaturas ao redor de mais de 8 mil data centers, revelando que o efeito térmico pode se espalhar por um raio de até 10 km.
Ilhas de Calor e seus Efeitos
Um dos principais riscos associados à construção do BEL1 é a possibilidade de formação de “ilhas de calor”, que são áreas urbanas que se tornam consideravelmente mais quentes do que as zonas rurais circunvizinhas devido à urbanização e à presença de grandes estruturas que geram calor, como os data centers. Um exemplo notável é a preocupação expressa pelo Ministério Público do Pará (MPPA) sobre como essa instalação poderia exacerbar esse fenômeno em uma região já conhecida por suas elevadas temperaturas.

Consultas Públicas e a Comunidade
Outro ponto alarmante no contexto do BEL1 foi a falta de envolvimento da comunidade local nas discussões a respeito do projeto. De acordo com as informações repassadas, consultas públicas não foram realizadas, o que contradiz as diretrizes exigidas pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A pouca transparência nas etapas de planejamento levanta a insatisfação e a preocupação entre os moradores dos bairros próximos, como Miramar, Barreiro, Sacramenta e Pratinha.
Frente ao Ministério Público
O promotor Márcio Maués, responsável pela 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, expressou a necessidade de avaliar a legalidade da construção do BEL1. O promotor enfatizou que a presença de um data center dessa magnitude deve ser acompanhada de estudos que comprovem tecnicamente a ausência de danos climáticos. A falta de informações apropriadas e de consultas ao público expõe que a saúde ambiental da região pode estar em risco.
Falta de Regulamentação no Brasil
No Brasil, a ausência de regulamentação específica para data centers é um tema recorrente nas discussões acerca de projetos como o BEL1. Não existem leis claras ou orientações que regulem o impacto ambiental decorrente da instalação desse tipo de infraestrutura. A empresa Elea Data Centers, responsável pelo projeto, está atualmente à procura de processo de licenciamento ambiental, mas ainda não apresentou evidências concretas sobre os estudos de impacto.
A Resistência das Comunidades Ribeirinhas
Comunidades ribeirinhas situadas nas proximidades do BEL1, como a Ilha das Onças, apresentam uma vulnerabilidade significativa em relação ao projeto. Não foram realizadas interações com esses grupos, levando à indignação pela falta de consideração de suas opiniões e necessidades. Esta resistência é um reflexo do sentimento de insegurança quanto às consequências que a instalação pode trazer para seus modos de vida e a preservação dos recursos naturais que dependem.
Considerações sobre Licenciamento Ambiental
Em relação ao processo de licenciamento ambiental, a Elea Data Centers assevera que está em fase de estudo, no entanto, essa afirmação contrasta com a postura de diversos órgãos ambientais de Belém e do estado do Pará, que alegam não ter processos de licenciamento sendo analisados em função da ausência de formalização. O promotor alerta que essa situação parece indicar uma desconsideração das etapas de licenciamento como meras formalidades.
Expectativas para o Projeto BEL1
Previsto para entrar em operação no segundo trimestre de 2027, o BEL1 promete ser um marco na infraestrutura de Inteligência Artificial na região Norte. A potência inicial de 7,5 megawatts é suficiente para abastecer cerca de 22,5 mil residências, levando a empresa a almejar expandir essa capacidade para até 100 megawatts. Entretanto, os benefícios e riscos associados à operação deste data center ainda precisam ser claramente definidos e avaliados.
O Futuro da Inteligência Artificial na Amazônia
A chegada de um data center na Amazônia representa uma oportunidade significativa para o desenvolvimento e expansão da Inteligência Artificial e dos serviços digitais na região. A Elea Data Centers enfatiza que o BEL1 deve contribuir para reduzir a dependência tecnológica da região em relação a servidores localizados em outras partes do Brasil e até mesmo do exterior, promovendo uma maior autonomia na área digital.


